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| Inscrição funerária de Caius Iulius Terentianus, Iulia Maxuma e Terencia de Ammaia |
Inscrição funerária de três indivíduos, que, pelos nomes, não parecem ter uma relação familiar direta (embora não seja de excluir a existência de laços matrimoniais). "(Consagrado) aos deuses manes de Caio Júlio Terenciano, filho de Caio, de 32 anos, inscrito na tribo Galéria e de Júlia Máxima, filha de Sexto, de 20 anos e de Terência, filha de Lúcio natural da Ammaia".
A onomástica é tipicamente latina, sobretudo na forma de identificação dos indivíduos, refletindo uma profunda romanidade e adesão à tradição latina. Todos os nomes são frequentes na Península Ibérica, em particular na área geográfica de Felicitas Iulia Olisipo, destacando-se o nomen Iulius e os cognomina Terentianus/ -a e Maxuma (ambos indígenas), todos eles comuns, sobretudo na zona oeste do município olisiponense. O cognomen Ammaia, por seu lado, parece ser habitualmente utilizado como nomen e associado a cognomina hispânicos.
A inscrição utiliza puncti distinguenti (triangulares de vértice apontado para o lado direito e vírgulas) a separar todas as palavras. As letras são de tipo Capital quadrada, ainda que os "V" sejam gravados com uma das hastes a 45 graus e outra completamente vertical. Pela onomástica, a fórmula de consagração aos deuses manes, a utilização do dativo e a indicação da idade, poderá datar-se esta inscrição de meados ou finais do século II d.C..
Leitura:
DIS MANIBVS / C(aii) · IVLI · C(aii) · F(ilii) · GAL(eria tribu) . TERENTIA / NI · ANNO(rum) XXXII (duo et triginta) · ET / IVLIAE SEX(ti) · F(iliae) · MAXUM¯AE AN(norum) (triângulo) XX (viginti) / ET · TERENTIAE · L(ucii) · F(iliae) · AMM¯AIIAE
Tradução:
(Consagrado) aos deuses manes de Caio Júlio Terenciano, filho de Caio, de 32 anos, inscrito na tribo Galéria e de Júlia Máxima, filha de Sexto, de 20 anos e de Terência, filha de Lúcio, natural da Ammaia.
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Isto nada teria de misterioso se a lápide tivesse sido descoberta na cidade romana de Ammaia localizada em São Salvador de Aramenha, Marvão, distrito de Portalegre. Mas...
...por estranho que pareça surge como tampa de monumento funerário encontrada em data incerta no século XVII, enterrada na mata entre Paço d'Ilhas e a Quinta dos Chãos, tendo sido depois incorporada no altar do Divino Espírito Santo na igreja matriz de Santo Isidoro (Ericeira).
Em 1861, é pela primeira vez referida a sua utilização como tampa de mesa dos pobres no jardim da Quinta dos Chãos, colocada diante do portal brasonado da casa, junto dos muros do jardim, onde permaneceu até Janeiro de 2005. Atualmente desconhece-se o seu paradeiro.
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| Última localização da tampa sepulcral |
E por último, a curiosa relação de Santo Isidoro com Ammaia (talvez por mero acaso) de uma aldeia que lhe fica a norte e relativamente perto, e que se chama precisamente Marvão...
Para mais informação sobre Paço d'Ilhas e Quinta dos Chãos, ver os blogs da Casa:
Ericeira de Ontem e de Hoje - Foral de 1229
Memoriando - Torre de Argolim, Paço d'Ilhas









